• Fabrício Proença

A beleza ameaçada da Mata Atlântica

Ao longo de toda a costa leste, sudeste e sul do Brasil, existe um bioma de floresta tropical úmida conhecido como Mata Atlântica. Sua área original cobria cerca de 1.315.460 km2, estendendo-se inclusive pela Argentina e Paraguai. Saiba como o desmatamento histórico reduziu severamente sua extensão territorial, comprometendo espécies únicas de animais e plantas.

Desde a colonização europeia até os dias de hoje, a Mata Atlântica vem sofrendo com o desmatamento. No início, para extração de madeira - principalmente o pau-brasil, planta cujo nome batizou nosso país -, depois para as monoculturas de café, pastos para gado, até o atual processo de urbanização. A destruição foi tão grande que sobrou apenas 7% do bioma original. Segundo o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 70% da população brasileira vive em cidades construídas na Mata Atlântica. São 130 milhões de habitantes em 3.284 municípios.


A Mata Atlântica é uma das áreas mais ricas em biodiversidade do mundo. É um verdadeiro mosaico de padrões de vegetação, apresentando áreas com florestas densas e úmidas, florestas estacionais, campos de altitude, mangues e restingas.


Ela ainda abriga 20.000 espécies de plantas e animais, sendo 8.000 endêmicas.

O pau-brasil, o samambaiaçu, o palmito-juçara, o mico-leão-dourado e a jacutinga são exemplos de organismos que só existem nesse bioma, e em nenhum outro.

Das 8.000 espécies endêmicas, 530 estão em grave risco de extinção, o que torna esse bioma também um dos mais ameaçados do mundo. Por esse motivo, foi declarada como Patrimônio Nacional pela Constituição Federal de 1988 e como Reserva da Biosfera pela Unesco.


Desmatamento

O maior ritmo de desmatamento ocorreu durante o século XX. A urbanização e a industrialização das cidades foram abrindo espaço na mata e fragmentando-a em áreas verdes cada vez menores e mais afastadas umas das outras.


Animais como a onça-pintada e a harpia, outrora habitantes típicos do bioma, tiveram reduções expressivas em seus territórios e hoje são raros, sendo encontrados apenas em reservas naturais. Para evitar mais destruição de habitats e perda da biodiversidade, o bioma passou a ser legalmente protegido.

Diversas unidades de conservação foram criadas ao longo dos anos para proteger a Mata Atlântica. Tanto que hoje ela é a região com o maior número dessas unidades na América Latina.

São 131 unidades de conservação federais, 443 estaduais, 14 municipais e 124 privadas, distribuídas por dezesseis estados. No entanto, esses números ainda são pequenos e representam apenas 2% do território ocupado pelo bioma. Além disso, muitas espécies ameaçadas sequer estão nessas unidades, correndo risco em regiões desprotegidas.


Por falta de fiscalização adequada, o desmatamento, a perda e fragmentação dos habitats, a caça e extração predatória de seus recursos, bem como a abertura de campos para cultivo e criação de gado continuam acontecendo e ameaçando o bioma.


A conservação de cada fragmento de Mata Atlântica é essencial, pois estes representam uma matriz do bioma que pode ser utilizada para sua reconstituição. Além disso, a vegetação mantém a umidade e o clima ameno, evitando estiagem e seca.


As soluções para proteger e renovar a vegetação desse bioma existem, mas dependem de esforços verdadeiros por parte dos governos e de toda a sociedade. Iniciativas paticulares, como a criação das Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), o trabalho das ONGs que lutam pela conservação de diversas espécies, a atuação dos educadores ambientais e dos multiplicadores nas comunidades, as campanhas de conscientização etc., têm sido de extrema valia para a preservação da Mata Atlântica.


Outra ação interessante é a implementação dos corredores ecológicos unindo os diversos fragmentos remanescentes, a fim de permitir o reencontro da fauna e da flora para reestabelecer o fluxo gênico, evitando o isolamento das populações.


Em 1861, por exemplo, Dom Pedro II teve uma iniciativa pioneira. Mandou reflorestar o Maciço da Tijuca, no Rio de Janeiro, que havia sido amplamente desmatado para o plantio do café. Após uma severa crise de abastecimento na cidade, que deixara a população na seca em 1843, o imperador enviou o Major Manuel Gomes Archer para comandar uma missão de desapropriação de terras e replantio que durou 13 anos. O resultado desse trabalho foi a regeneração da floresta, que hoje forma um dos Parques Nacionais mais importantes do país, a Floresta da Tijuca.


São esforços como esses que poderão frear a destruição e oferecer uma nova esperança para essa exuberante floresta. Sua preservação significa também nossa sobrevivência.


Por Fabrício Proença

Biólogo e professor de Ciências


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