• Fabrício Proença

Anosmia, a perda do olfato

Nos primeiros meses de disseminação da COVID-19 pelo mundo, médicos e especialistas que estavam diretamente envolvidos com casos clínicos começaram a relatar um sintoma bastante comum entre os pacientes: a ausência parcial ou total do olfato, chamada, em termos técnicos, de anosmia.

Em março de 2020, diversos relatos desse sintoma inusitado começaram a aparecer na China, Coréia do Sul, Itália, França, Alemanha e Irã, chamando a atenção da comunidade médica. Tanto que, em pouco tempo, passou a ser considerado um forte indicador de COVID-19.

A palavra anosmia vem do grego "ánosmos", inodoro (de "an", ausência; "osmé", odor e "ia", qualidade), significando, portanto, a "carência do sentido do olfato".

A perda do olfato pode ser total ou parcial (neste último caso também pode ser chamada de “hiposmia”, pouco olfato). Suas causas são variadas e exigem uma análise clínica feita por um otorrinolaringologista para serem identificadas adequadamente.


Como o sentido do paladar depende bastante das informações captadas pelo olfato, uma pessoa com anosmia pode também apresentar ageusia, a perda do sentido do paladar.


Outras causas além da COVID-19

Gripes, resfriados, rinites e sinusites, por exemplo, podem provocar a redução do olfato. Isso por que tais condições promovem aumento da produção de muco nas cavidades nasais, o que prejudica temporariamente os receptores de olfato a executarem seu trabalho de identificação das partículas de aroma inaladas.


Traumatismos cranianos e doenças neurológicas – como o Mal de Alzheimer, tumores cerebrais e esclerose múltipla – também podem alterar o olfato de forma parcial ou definitiva, caso atinjam as fibras do nervo olfativo.

O tratamento da anosmia depende da causa e, por se tratar de um sintoma, seu desaparecimento acompanha o processo de cura da condição que a originou.

Nas situações de obstrução nasal causadas pelas rinites, gripes e resfriados, são usados descongestionantes e antialérgicos. Em casos de infecção bacteriana, como é o caso da sinusite, são prescritos antibióticos.


Já nas condições mais graves, como os casos neurológicos, os tratamentos dependem da avaliação de um neurologista.


Por que o a COVID-19 causa esse sintoma?

O vírus Sars-COV-2, causador da COVID-19, possui um mecanismo de infecção que envolve o acoplamento das proteínas Spike presentes em sua superfície em receptores específicos de algumas células do nosso corpo.


Essas proteínas Spike agem como se fossem “chaves” abrindo as “fechaduras” (receptores) de células do tecido epitelial das mucosas respiratórias.

Os cientistas perceberam que os coronavírus também conseguem acessar as células de suporte do epitélio olfativo, destruindo-as durante a infecção e danificando os neurônios sensoriais olfativos. É por isso que o olfato falha ou desaparece por completo em alguns pacientes de COVID-19.

Mas não se preocupe, pois essa perda não é irreversível. Como as células do epitélio olfativo são temporárias, após algumas semanas elas se regeneram fazendo com que os pacientes curados comecem a recuperar o olfato lenta e gradativamente.


A anosmia, bem como a ageusia, se tornaram sintomas de alerta no cenário de pandemia, indicando uma possível contaminação pelo Sars-COV-2 mesmo na ausência de outros sintomas clínicos característicos da COVID-19. Uma vez identificados, esses sinais permitem a testagem e o isolamento dos casos suspeitos, ajudando a diminuir o ritmo de contágio da doença e facilitando o tratamento com o diagnóstico precoce.


Por Fabrício Proença

Biólogo e professor de Ciências


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