• Fabrício Proença

Consumismo e produção de lixo

Existe uma diferença importante entre consumo e consumismo. O primeiro se refere à aquisição de itens por necessidade e sobrevivência, enquanto o segundo indica um comportamento baseado em gastos excessivos e desnecessários com supérfluos, normalmente por impulso e que podem se transformar em compulsão.

Após a Revolução Industrial, a arrancada do capitalismo acompanhada pelo advento da publicidade e da cultura de massa nos conduziu a uma realidade atual marcada mais pela necessidade de consumo que pelo consumo por necessidade.

A sociedade contemporânea, atraída pela intensa sedução das propagandas, exige o consumo de itens cada vez mais sofisticados, práticos e que ofereçam mais status.

Isso aumenta a produção industrial, as vendas e os lucros, mas também força uma maior extração de recursos naturais e um maior consumo de energia, tanto renovável quanto não renovável.


Consumismo como modo de vida

Para sustentar uma cadeia de produção cada vez mais lucrativa é preciso estimular a insatisfação mantendo as pessoas sempre desejando mais – a obsolescência –, produtos que rapidamente são substituídos por algo melhor, – e a imitação –, o anseio pelo que os outros, normalmente pessoas bem sucedidas, possuem. Assim, todos querem sempre mais do melhor, igual ao dos outros, trocando constantemente de tudo um pouco, desde roupas e sapatos até carros e celulares.


Segundo o economista Victor Lebow, “nossa economia produtiva requer que o consumo se torne nosso modo de vida, ao convertermos o ato de comprar e usar bens em rituais, e que tenhamos satisfação pessoal e espiritual ao consumirmos. Precisamos consumir, queimar, substituir e descartar em uma velocidade muito rápida.”

Esse consumo desenfreado torna os produtos cada vez mais descartáveis e é aí que começa um dos piores problemas do mundo atual: o lixo.

Também chamado de rejeito, o lixo é todo resíduo sólido da atividade humana que não tem mais utilidade, se tornou supérfluo, obsoleto, e que deve ser descartado e eliminado.


Na natureza não existe lixo, pois todo tipo de resto orgânico é prontamente decomposto por microrganismos como fungos e bactérias, sendo reciclado e novamente incorporado ao ciclo da matéria.


No entanto, os materiais que usamos em nossos produtos - como plásticos, metais e vidros - demoram um tempo significativamente longo para serem decompostos, acumulando-se em depósitos e causando poluição, contaminação e degradação ambiental.

Só no Brasil são geradas cerca de 200 mil toneladas de lixo por dia, um volume que requer atenção e cuidados por parte das companhias de limpeza e das autoridades.

Destino do lixo

Existem diversos destinos para esses resíduos, que variam de acordo com sua composição e origem.


Cerca de 2% apenas desse quantitativo segue para reciclagem, o que é um número bastante aquém do ideal. O resto é enviado para aterros sanitários, onde serão compactados e depositados em lugares planejados, onde os líquidos e gases resultantes da decomposição serão devidamente tratados.

Todavia, parte dos materiais descartados ainda acaba sendo destinada de forma inapropriada para lixões a céu aberto.

Os lixões - ou vazadouros - são grandes áreas onde o lixo é disposto sem nenhuma preparação do solo, ficando expostos ao tempo e às intempéries. O impacto ambiental causado pelos lixões é enorme: contaminação do solo por chorume, multiplicação de animais transmissores de doenças, emissão de metano para a atmosfera, dentre outros.


O governo brasileiro, através da Política Nacional de Resíduos Sólidos, sancionou a lei 12.305 em 2010, estabelecendo um prazo até 2014 para o fim dos lixões. Enquanto os municípios se adaptam, vale lembrar que o lixo é um problema de todos. Devemos fazer nossa parte, agindo como consumidores conscientes e destinando nossos resíduos de forma apropriada através das coletas seletivas.


Por Fabrício Proença

Biólogo e professor de Ciências


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