• Fabrício Proença

O evento astronômico por trás da estrela de Belém

Na tradição cristã, o nascimento de Jesus fora revelado aos três reis Magos por um evento astronômico excepcional: a aparição da estrela de Belém. Mas será que realmente existiu a estrela de Belém?

Segundo o Evangelho de Mateus, os magos do oriente foram conduzidos pela estrela até o local onde o menino Jesus estava, onde puderam presenciar e homenagear a chegada do rei dos reis.


Astrônomos vêm debatendo a possibilidade de algum fenômeno astronômico ter dado origem ao relato bíblico há bastante tempo e, devido à inexatidão dos registros, nada além de hipóteses e conjecturas vieram à tona desde então.


Dionysius Exiguus, monge do século XVI, determinou o Anno Domini como ano que deu início à Era Cristã a partir da data de nascimento de Jesus. Como a numeração romana não usava o zero, ajustes precisaram ser feitos para determinar com maior exatidão o momento certo em que Cristo teria nascido e, apoiados em narrativas bíblicas e relatos de historiadores antigos, os pesquisadores concluíram que o nascimento deve ter acontecido entre 7 e 2 a.C.


Usando esse intervalo de tempo como parâmetro, os astrônomos começaram a elaborar hipóteses sobre os possíveis eventos cósmicos que ocorreram naquela época.

O primeiro candidato é um cometa, pois é bastante comum vermos essa figura como representação da estrela de Belém nos presépios e pinturas.

Mas qual cometa? Alguns autores sugerem que tenha sido o cometa Halley, pois este ficou visível por volta de 12 a.C. No entanto, a data não coincide com o período do nascimento. Um outro corpo celeste foi visto nos céus do oriente em 7 a.C., mas ainda não se sabe se era um cometa ou uma supernova (explosão de estrela que pode gerar um brilho intenso no céu por dias). Alguns creem que possa ter sido esse o evento que inspirou a história.

No entanto, a principal hipótese é a da conjunção planetária de Júpiter e Saturno.

O astrônomo alemão Johannes Kepler, em 1614, calculou que três conjunções de Júpiter e Saturno teriam ocorrido no ano 7 a.C. O fenômeno está registrado em tábuas cuneiformes do Almanaque estelar de Sippar, uma antiga escola de astrologia próxima ao rio Eufrates, na Babilônia. Segundo o documento, foram vistas três conjunções muito brilhantes de Júpiter e Saturno naquele ano, que apareciam antes do nascer do Sol próximas da constelação de Peixes. A terceira conjunção teria ocorrido em 1º de dezembro.


Esse evento, belo e raro, é o que mais coincide com o período do nascimento de Jesus. Alguns pesquisadores sugerem que o fenômeno possa ter sido confundido com um ato sobrenatural ou divino, o que o transformou num acontecimento digno de um relato bíblico.


Por Fabrício Proença

Biólogo e professor de Ciências


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