• Fabrício Proença

O superfungo que está deixando os hospitais em alerta

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta preocupante: a identificação do primeiro caso de infecção por Candida auris, um superfungo resistente a medicamentos antifúngicos.

Identificado pela primeira vez no ano de 2009 em uma paciente japonesa, o fungo Candida auris logo chamou atenção pela sua resistência. Logo em seguida, novos casos emergiram em países como Índia, África do Sul, Quênia, Espanha, Reino Unido, EUA e Venezuela, colocando a comunidade médica em alerta.


Na primeira semana de dezembro de 2020, a Anvisa emitiu um alerta a partir da possível identificação de C. auris em uma amostra retirada de um cateter que fora usado em um paciente com COVID-19 num hospital da Bahia. A amostra ainda será submetida a exames para confirmação oficial, como sequenciamento genético e testes de sensibilidade e resistência. Mas o caso já está sendo levado a sério, pois pode ser o primeiro em terras brasileiras.

O fungo é do tipo leveduriforme e causa infecções hospitalares normalmente em pessoas internadas por muito tempo e cuja imunidade está debilitada.

Uma vez na corrente sanguínea do paciente, o C. auris pode causar sintomas como febre alta, fadiga, tontura, náuseas, vômitos e taquicardia. Sua taxa de letalidade gira em torno de 30 a 60%, pois ele se mostra resistente às principais classes de antifúngicos empregadas no tratamento dessas infecções, como os polienos, azóis e equinocandinas.


Provavelmente o uso continuado de medicamentos em pacientes internados pode ter sido o fator determinante para o surgimento dessa variedade de superfungos resistentes. À medida que a medicina avança nos tratamentos de doenças infectocontagiosas, muitos agentes patogênicos resistentes acabam sendo selecionados, driblando os médicos e se tornando novas ameaças.


Ainda não se sabe exatamente como ocorre a transmissão. Segundo alguns estudos, o contágio pode acontecer a partir do contato com superfícies e instrumentos médicos contaminados. Existe também a possibilidade de transmissão de uma pessoa para outra, através do contato direto.


Fungo difícil

Além de resistente aos medicamentos, o C. auris também persiste nos ambientes por semanas ou meses, principalmente nos dispositivos e equipamentos médicos usados nas unidades de saúde. Sua aderência às superfícies é alta e ele possui resistência a diversos desinfetantes, passando ileso de processos de limpeza e higienização menos minuciosos.

Outro fator complicador é a dificuldade de identificação do fungo, que é confundido com outros agentes infecciosos, o que pode gerar tratamentos inadequados.

O alerta feito pela Anvisa segue um protocolo de notificação obrigatória determinado pela Opas (Organização Pan-Americana de Saúde) e pela OMS (Organização Mundial da Saúde), pois se trata de um agente biológico de difícil diagnóstico e tratamento que exige a adoção de medidas de prevenção e controle mais rigorosos.


Dessa forma, os hospitais e serviços de saúde no Brasil devem elevar o nível de atenção e reforço das medidas de vigilância a fim de conter possíveis surtos locais. Segundo o alerta, o fungo representa uma séria ameaça à saúde dos pacientes, principalmente aqueles que apresentam comorbidades. Portanto, todo cuidado é pouco.


Por Fabrício Proença

Biólogo e professor de Ciências


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