• Fabrício Proença

O velocista da savana

Atualizado: 22 de Nov de 2020

Capazes de cobrir grandes distâncias em poucos segundos, os guepardos se tornam velocistas excepcionais quando o assunto é garantir o almoço.

Poucos segundos pode parecer pouco, mas para um guepardo (Acinonyx jubatus), também chamado de cheetah, esse é o tempo ideal para atingir seu objetivo. Capaz de alcançar a marca de 115 ou 120 km/h, esses felinos são os animais terrestres mais rápidos do mundo.

Sua estratégia de caça é o ataque surpresa, do tipo tudo ou nada, onde consegue facilmente atingir mais de 100 km/h em apenas três segundos.

No entanto, em cada empreitada um guepardo exaure suas energias após ter percorrido cerca de 400 metros de savana atrás de suas presas. Tão logo acaba a correria, eles param e ficam recuperando o fôlego por um longo tempo, enquanto olham em volta para ver se não tem algum possível ladrão de caça ao redor, como uma hiena ou até mesmo uma leoa.


Anatomia de atleta

O que os torna tão eficientes é um conjunto formidável de características anatômicas. A coluna vertebral, extremamente flexível, facilita demais a movimentação durante a perseguição, enquanto a cauda alongada contrabalança todo o corpo, oferecendo maior estabilidade. A cabeça pequena – com listras que percorrem a face como lágrimas escorrendo dos olhos – tem um formato aerodinâmico e focinho com narinas bem abertas para tomar bastante ar.

As garras não são retráteis - característica única entre os felinos -, o que ajuda a conferir maior tração numa arrancada, como se fossem as travas das chuteiras de um jogador de futebol.

E para finalizar esse repertório, os guepardos contam com um corpo leve, que pode atingir entre 30 e 60 kg num indivíduo adulto.


Risco de extinção

Apesar de exibirem o título de recordistas em velocidade, os guepardos possuem um futuro incerto. Outrora mantidos como animais de estimação pelos egípcios, a caça secular por sua pele fez com que sua população diminuísse para pouco mais de 12.000 indivíduos em estado selvagem. E esse pequeno número de animais espalhados pelas reservas da África tem reduzido sua variabilidade genética, o que aumenta significativamente os riscos de cruzamento consanguíneo. A elevada mortalidade de filhotes por causa desses cruzamentos e do ataque de predadores competidores como os leões e as hienas, tem contribuído para tornar a situação ainda mais crítica. Felizmente, vários esforços de conservação vem sendo feitos em alguns países africanos. Ainda resta uma esperança para o velocista da savana.


Por Fabrício Proença

Biólogo e professor de ciências


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