• Fabrício Proença

Você não vai acreditar no mau cheiro dessa planta

Da mesma família dos antúrios, o jarro-titã exibe uma gigantesca inflorescência com fragrância pútrida e bastante desagradável.

O jarro-titã (Amorphophallus titanum) de vez em quando é referido como a planta que produz a maior “flor” do mundo. No entanto, esse título já pertence à raflésia, a flor-cadáver. Para evitar confusão, é preciso esclarecer:

O jarro-titã apresenta a maior inflorescência, ou seja, o maior conjunto de flores entre as plantas.

No caso das plantas aráceas, essa inflorescência se assemelha a uma espiga que é comumente denominada espádice, onde estão reunidas as pequeninas flores. Ao redor do espádice, pode se ver a espata, uma folha bráctea grande e única que se parece com uma pétala em formato de taça ou jarro.

O que diferencia o jarro-titã de seu primo copo-de-leite é o fato de que seu espádice pode atingir três metros de altura e pesar até 75 kg, um verdadeiro titã botânico.

Encontrado única e exclusivamente nas selvas de Sumatra, no sudeste asiático, essa arácea consegue viver uns quarenta anos, mas só arrisca desabrochar sua gigantesca inflorescência duas ou três vezes na vida. Também pudera, haja energia e disposição para manter tudo isso.


Aquele fedor

Da mesma forma que a conterrânea raflésia, o jarro-titã ludibria inocentes moscas e besouros com a estratégia do cheiro de carne podre. E que mau cheiro. Tanto que a planta consegue adicionar mais um recorde em seu currículo, o de planta mais fedida do mundo.

O odor nauseabundo se espalha pelo ambiente graças a temperatura do espádice que se iguala a temperatura do corpo humano.

Para completar o ilusionismo, a espata avermelhada e brilhosa lembra um grande pedaço de carne fresca, atraindo os insetos carniceiros que acabam atuando involuntariamente como polinizadores.

A técnica malcheirosa lhe valeu também o nome de “flor-cadáver” tal como a raflésia.


Um gigante raro

Por causa do intenso desmatamento da floresta tropical de Sumatra e da redução da população de um besouro que atua como principal dispersor de suas sementes, o jarro-titã é uma espécie vulnerável, ou seja, é uma planta que possui elevado risco de ser extinta na natureza.


Por Fabrício Proença

Biólogo e professor de ciências


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